VOU REVELAR QUAL É O MEU RELACIONAMENTO COM A XUXA
Calma. Não é exatamente o que você está pensando. 😂
Essa é uma história que pouquíssimas pessoas conhecem e que eu nunca tive o hábito de contar. Mas, diante de tantas críticas que vejo hoje sobre a Xuxa Meneghel, senti que era hora de revelar uma parte muito importante da minha própria história.
E, para entender esse relacionamento, preciso voltar alguns anos no tempo...
Senta que lá vem textão.
Minha infância e juventude foram vividas em Pedra de Guaratiba. Nas décadas de 1980 e 1990, o bairro ainda era um lugar pacato, distante de tudo, onde o comércio local girava principalmente em torno da pesca, dos famosos restaurantes de frutos do mar e dos veranistas que tinham suas casas por ali.Foi justamente Pedra de Guaratiba o lugar escolhido por Xuxa para instalar sua Fundação. E, para minha sorte, ela ficava praticamente ao lado da minha casa.
No início, a instituição atendia principalmente crianças. Embora eu fosse uma delas, naquela época o perfil da minha família não se encaixava no público que a Fundação se propunha a atender.
Minha infância não era ruim. As coisas só começaram a ficar mais difíceis alguns anos depois.
Tenho uma lembrança muito especial daquela época: a sensação de ver um sonho se tornar realidade.
Todas as manhãs, assistíamos ao Xou da Xuxa. Para uma criança pobre, de família humilde, dos anos 80 e 90, conhecer a Xuxa, vê-la de perto ou, quem sabe, conseguir tocá-la, parecia algo distante, quase impossível.
Mas eu a vi muitas vezes.
Naquela época, Xuxa frequentava bastante a Fundação. Caminhava pelo bairro, conversava com as crianças, distribuía presentes. Algumas vezes, passava de carro, parava e falava com a gente.
Para nós, aquilo era uma alegria enorme. Era tudo muito louco. E muito especial.
Tenho muitas lembranças boas daquela época.
O tempo passou. As crianças cresceram, e a Fundação percebeu que precisava adaptar seus espaços e sua atuação para atender também aquela garotada que estava entrando na adolescência e na juventude.
Foi então que, já com pouco mais de 16 anos, tive a oportunidade de começar a frequentar a instituição.
Eu estava vivendo uma fase muito delicada da minha vida. E a Fundação percebeu que eu precisava de uma oportunidade, de um direcionamento, de uma ajuda.
Foi ali que comecei a fazer um curso profissionalizante na área de gastronomia.
Ali eu aprendi uma profissão.
E a Fundação não apenas me ofereceu a oportunidade de aprender um ofício. Depois que concluí o curso, também foi responsável por me encaminhar ao mercado de trabalho, dando o primeiro passo para que eu pudesse conquistar minha independência e construir minha própria trajetória profissional.
E existe uma pessoa que teve um papel muito especial nesse momento da minha vida.
Nossa saudosa Angélica Goulart, diretora da Fundação Xuxa Meneghel.
Foi ela quem me entrevistou para o processo seletivo naquela época. Lembro daquele momento como se fosse hoje. Angélica estava sentada à minha frente, olhando profundamente nos meus olhos. Esse era um traço muito marcante dela: aquele olhar firme e atento, que fazia a gente sentir que não havia como esconder nada, não havia possibilidade em desviar daquele olhar.
Ela me ouviu com atenção e, naquele momento, percebeu algo que talvez eu mesmo ainda não conseguisse enxergar: eu estava, de alguma forma, suplicando por uma oportunidade.
E ela me deu essa oportunidade. Mais do que isso, ela acreditou em mim.
E aquela oportunidade ajudou a mudar o rumo da minha história.
Anos depois, tivemos a felicidade de nos reencontrar durante uma viagem pela Europa. Foi um daqueles encontros que parecem fechar um ciclo.
Um momento muito especial, cheio de lembranças e significado para todos nós.
E talvez essa seja uma das partes mais bonitas dessa história:
A Fundação não foi apenas um lugar por onde passei. A Fundação faz parte da minha vida.
Foi lá, inclusive, que conheci minha esposa.
Estamos juntos até hoje e construímos uma linda família, da qual nosso filho Nicolas é a maior expressão desse amor.
Ou seja, quando olho para trás, percebo que aquela instituição não influenciou apenas uma parte da minha adolescência. Ela ajudou a construir a história que veio depois.
E existe ainda uma lembrança da qual tenho um orgulho enorme.
Por ocasião dos 25 anos da Fundação, foi lançado o livro “Fundação Xuxa Meneghel — 25 anos transformando histórias”.
Para marcar aquela trajetória, foram escolhidas 25 histórias de pessoas que passaram pela Fundação durante aqueles anos.
E a minha história foi uma das 25 escolhidas.
A história contada no livro fala muito sobre quem eu era antes de chegar à Fundação e sobre os primeiros passos que dei depois que entrei para a instituição. Há, inclusive, relatos narrados pela própria Xuxa, que conhecia a minha história.
Para mim, ter minha história entre aquelas 25 é motivo de enorme orgulho. Não apenas por estar em um livro, mas por saber que a minha passagem pela Fundação também representa um pequeno pedaço daquilo que aquela instituição conseguiu transformar na vida de tantas pessoas.
Quem chegou até aqui talvez esteja estranhando esse texto. Pouquíssimas pessoas conhecem essa parte da minha trajetória.
Eu nunca tive o hábito de falar muito sobre isso, talvez porque algumas histórias sejam tão importantes para nós que não sentimos necessidade de contá-las o tempo todo.
Mas hoje senti que precisava.
A Fundação Xuxa hoje se chama Fundação Angélica Goulart.
O nome mudou, os tempos mudaram, as pessoas cresceram, mas o trabalho continuou.
E, para mim, isso é o que realmente importa.
Porque eu não conheci essa história apenas pela televisão, pelas revistas ou pelo que as pessoas dizem sobre Xuxa.
Eu vivi uma pequena parte dela. E posso dizer, com toda sinceridade:
Aquela Fundação fez parte da minha história, ajudou a construir o homem que me tornei e, de alguma maneira, também está presente na família que construí.
Por isso, quando vejo alguém simplesmente criticar ou diminuir uma pessoa que decidiu colocar seu nome, seu esforço e seu trabalho na construção de algo que fez bem a tantas pessoas, isso me toca profundamente.
Não estou dizendo que ninguém possa fazer críticas. Todos podem. Pessoas públicas estão sujeitas a opiniões, concordâncias e discordâncias. Mas existe algo que não podemos esquecer:
Os legados também são construídos pelas vidas que foram transformadas no caminho.
E a minha foi uma delas.
E aqui quero deixar registrado um agradecimento.
A história que aparece no livro mostra um pouco de quem eu era antes da Fundação e dos primeiros passos que dei depois dela. Mas existe toda uma caminhada que veio na sequência e que também foi construída por muitas mãos.
Antes de chegar à Fundação, fui ajudante de pedreiro, flanelinha e pescador. Foram trabalhos simples, duros e honestos, que fazem parte da minha história e ajudaram a formar quem eu sou.
Depois da Fundação, vieram muitas pessoas e oportunidades que foram fundamentais para a minha trajetória.
Quando finalizei o curso, fui indicado pela Josana para trabalhar como garçom no Bosque da Fazenda, a Fazendinha, em Jacarepaguá, do Sr. Ricardo Porto. Fiquei por lá durante aproximadamente dois anos.
Depois, passei por lugares que também marcaram minha trajetória profissional:
PJ New York, Kinetic by Chef Laurent, Gato Pardo, Gato Barra e Studio 54, todos estabelecimentos do Sr. Ricardo Amaral.
Mais tarde, comecei a trabalhar com Adriana Mattar, passando pelo Anexo Artefacto e, posteriormente, pelo Buffet Cooking, que durante anos foi reconhecido como um dos melhores buffets de festas do Rio de Janeiro (e é ainda hoje).
Cada lugar, cada trabalho e cada pessoa deixaram alguma coisa em mim.
Em 2009, iniciei minha trajetória no mercado imobiliário, passando pelas construtoras Even e Cyrela, e pelas imobiliárias Lopes e Patrimovel.
Também tive uma experiência com o mercado imobiliário na França, onde vivi por aproximadamente cinco anos.
Em 2025, retornamos ao Brasil e retomei minha atuação no Rio de Janeiro. Hoje, sigo trabalhando de forma autônoma, com minha assessoria jurídica e ao lado de grandes parceiros de vendas.
São 17 anos de atuação no mercado imobiliário, mas uma trajetória profissional que começou muito antes, com uma oportunidade recebida ainda na adolescência.
E é justamente por isso que eu valorizo tanto cada pessoa que cruzou o meu caminho.
Hoje, olhando para trás, tenho orgulho do caminho que percorri.
E talvez a maior lição que a Fundação tenha me deixado seja justamente esta: uma oportunidade pode mudar uma vida. Eu sou prova disso.
E, mesmo tantos anos depois, continuo carregando comigo os ensinamentos de amor, carinho, respeito e cuidado com o próximo que recebi naquela época.
Porque, no fim das contas, mais importante do que aquilo que conquistamos é aquilo que fazemos com as oportunidades que recebemos.
O legado da loira continua vivo.
E eu tenho orgulho de carregar uma pequena parte dele comigo, com gratidão, carinho e orgulho, até o fim da minha vida.











